Aprender com quem faz melhor

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Aprender com quem faz melhor

00:00:00 - 07/03/2017

Aprender com quem faz melhor
 

César Smielevski
Presidente da Associação Empresarial de Criciúma (Acic) 
 

Por questões mercadológicas ou de gestão, as empresas buscam referências externas para melhorar produtos e processos. Identificada a necessidade, localizam entre os players do segmento, na concorrência ou fora do seu ramo de atuação, práticas de excelência que sirvam de exemplo para ampliar a competitividade. Se o mundo corporativo aprimora-se utilizando o benchmarking, nome do método comparativo, países emergentes, com incipientes modelos de funcionamento, deveriam fazer o mesmo para aprender com aqueles de economia consolidada.

A criação de um ambiente favorável aos negócios, característica comum em países de economias maduras, poderia servir como modelo para desatarmos as amarras que incidem no setor produtivo brasileiro. Enquanto infraestrutura adequada, desburocratização alfandegária, leis trabalhistas simplificadas e geração de conhecimento fazem os países desenvolvidos distanciarem-se dos demais, aceitamos a inoperância do estado brasileiro nesses pré-requisitos, em sacrifício do empreendedor. De igual forma, não devemos aceitar a tese que, com maior poder de investimento, grandes economias resolvem mais facilmente seus problemas. Isso é parcialmente verdadeiro.

 

Exceto a infraestrutura, os demais itens que aponto no texto como pilares de um ambiente favorável a negócios, não necessitam de investimentos por tratar-se de legislação. Disponível, à quem interessar, em manuais e por anos revisada em qualquer país que opta pelo desenvolvimento na valorização do empreendedor. Falta é vontade política. Para uma economia diversificada e vibrante, é imprescindível processos eficientes em nossas fronteiras. Quem exporta ou importa, ou planeja fazê-lo, sabe do que estamos falando: o Brasil é um país fechado. Regidas pela CLT de 1943, nossas leis trabalhistas, desconectadas da dinâmica requerida atualmente dos processos de contratação, penalizam sobretudo o empregado. Sem pesquisa e desenvolvimento para gerarmos valor à nossa produção, continuaremos sendo um país exportador de commodities, importando tecnologia manufaturada sobre grãos e minérios, arcando obviamente com o custo da diferença. É premente que o Brasil repense sua maneira de agir e, com coragem, adote os exemplos que dão certo. Aprender com os próprios erros, leva tempo. Devemos aprender com os acertos dos outros.        


Artigo publicado no Diário Catarinense no dia 04 de março
 

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