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Série “Pensar a cidade” - Em debate, a infância
00:00:00 - 13/08/2018
O que fazer para a criança crescer? O que fazer para que a cidade seja um lugar de crescimento? O que a cidade pode fazer nesse tempo da infância para que as crianças tenham seu espaço e no seu tempo cresçam? Estes foram alguns dos questionamentos que nortearam o terceiro encontro da Série Diálogos – Pensar a cidade – coordenada pelo Projeto Cultura Acic, que ocorreu na noite de quinta-feira, 09 de agosto. Para tratar o tema “A infância na cidade” os especialistas: o arquiteto e urbanista Jorge Luiz Vieira, a psicanalista Ana Paula Gramacho, a médica Ana Maria Pizolati Cardoso e a mestre em educação Rose Reynaud foram os convidados para do encontro.
“O ser humano tem uma capacidade incrível de criar, de imaginar e a imagem que se faz da cidade é a imagem que sabemos que podemos percorrê-la. De que ela é confortável, segura para mim, porque se não for crio uma imagem negativa e destrutiva da cidade. Para construir uma imagem positiva tenho que fazer com que os espaços se tornem lugares. O espaço é abstrato e o lugar não. Para o lugar damos valor, símbolo, distinção e para a cidade isso é fundamental”, destaca o arquiteto e urbanista Jorge Luiz Vieira. Para ele, alguns dos problemas da infância na cidade estão relacionados a transformação acelerada dos tempos atuais. “As transformações de padrão de estrutura familiar em função da relação capital x trabalho, mulher x trabalho. Essas mudanças fazem com que as crianças sejam contidas. Isso significa que do ponto de pista do espaço, as crianças estão tendo uma relação cada vez mais superficial com a cidade e é necessário que estudemos isso”, observa.
Estrutura e avanço da educação
A mestre em educação Rose Reynaud, também coordenadora dos Projetos de Educação da Acic, destaca o grande número de espaços físicos que Criciúma possui para cuidar das crianças, porém não avança como deveria na educação, reproduzindo o padrão nacional. “Se olharmos Criciúma do ponto de vista de estrutura educacional vamos ver que a cidade possui 55 centros de educação infantil e 52 escolas públicas e municipais. Dentre essas, cinco prestam atendimento integral, uma delas o Bairro da Juventude, citando ainda a Abadeus e o Centro Social Marista, localizados em bairros de vulnerabilidade social. Além disso, várias unidades de educação infantil com atendimento particular que permitem atendimento a todas as crianças, sem fila de espera. Temos ainda um Conselho Municipal de Educação, Plano Municipal de Educação, programas de educação sobre drogas. Temos a consciência social e empresarial, a oferta e a estruturação, estamos em um movimento crescente, porém ainda lento, há muito que se fazer ainda. Mesmo com essas estruturas físicas, organizações humanas e institucionais a nossa disposição não conseguimos avançar, reproduzimos aqui o padrão nacional”, opina Rose. A especialista ainda deixa mais algumas reflexões ao público, que lotou o auditório Jorge Zanatta, na sede da Associação Empresarial de Criciúma. “A forma como estamos tratando a infância em Criciúma está contribuindo para formar crianças como líderes e empreendedores hoje e no futuro? Será que Criciúma pode ter uma infância saudável quando nos fins de semana em que as crianças mais necessitam ficam confinadas em suas casas? Que mudança de mentalidade e de ações deveriam ser feitas em Criciúma para que de fato possamos oferecer as condições que permitam o pleno desenvolvimento dessas crianças e que a cidade de fato possa se formar adulta no futuro”, provocou.
A médica Ana Maria Pizolati Cardoso e a Ana Paula Gramacho refletiram ainda sobre o contexto da criança na história da humanidade e a constituição da infância. “Na idade antiga, o ser humano era utilitário. A criança tinha responsabilidade de adulto, era adestrada. Nesse período de mil crianças que nasciam 800 morriam até os cinco anos. Os adultos também viviam pouco no máximo até 30 anos e as crianças eram amamentadas até os cinco para possivelmente escaparem da morte. Aos sete anos, eram trocadas por outras famílias, para isso eram treinadas a servir, aos 12 anos se casavam e aos 30 morriam”, explica. “Para que uma criança tenha um lugar no mundo ela precisa antecipadamente do olhar e do desejo do outro para que possa querer saber de qualquer coisa a respeito do mundo. A criança está em pleno trabalho psico, entender o mundo, o que querem dela, o que ela pode e o não pode fazer, o certo o errado e tem um futuro pela frente, e tudo isso demora e enquanto não se torna adulta, brinca. Devemos pensar duas questões: momento da infância da constituição desse infantil e desse infantil que retorna em nós quando adultos”, analisa.
O próximo e último encontro da série ocorrerá em outubro com o tema “A Terceira Idade na cidade”.
Deize Felisberto
Assessoria de Imprensa da Acic
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