Publicações A ACIC - Pronunciamentos do Presidente

31/01 - Artigo publico Jornal Diário Catarinense

Pronunciamentos do Presidente
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Data 03/02/2017 Texto ACIC Compartilhe
19/01 - Artigo publico Jornal Diário Catarinense

Reformar para atrair

Dentre as pautas debatidas no Congresso Nacional ano passado, a Medida Provisória (MP) 746/2016 que trata da reforma do ensino médio, foi, por sua relevância à qualidade da educação ou pelo corporativismo de alguns setores vinculados ao tema, uma das mais polêmicas, despertando a atenção da sociedade via ampla cobertura da mídia. Na referida MP, constam, além de outros, itens como a obrigatoriedade do ensino de português, matemática e inglês durante todo o curso e não somente no primeiro ano, dando a prerrogativa da seleção das demais disciplinas à escola, para que cada aluno, dependendo do seu interesse e aptidão, escolha seu caminho no currículo ofertado. Currículo este que será composto pela Base Nacional Curricular a ser aplicado a partir de 2017. A ênfase dada em torno da supressão de artes e educação física, conforme a proposta original, durante a tramitação da matéria, colocou em segundo plano o que deveria ser a essência do debate: o atual ensino médio com um número excessivo de disciplinas sem sinergia entre si e objetividade nula quanto as atuais demandas profissionais, não atrai os jovens. Do jeito que está não pode mais ficar. Temos no Brasil, aproximadamente oito milhões de estudantes no ensino médio, incluindo escola pública e privada, onde impera uma evasão média de 13,0% só no primeiro ano. Na faixa etária que compreende a duração do curso, dos 15 aos 17 anos, dois milhões de jovens desistiram ou sequer ingressaram no ensino médio. Sem entrar no mérito da questão pedagógica, os números são reveladores, o jovem não se sente atraído para esta modalidade de ensino. Depois do fundamental ele não encontra atrativo suficiente à realidade de sua vida na escola que deveria seduzi-lo à continuidade dos estudos. Se o novo plano do ensino médio foi estruturado para mudar essa realidade, reduzindo ou substituindo disciplinas desconexas ao cotidiano do jovem e de um mercado de trabalho tecnológico e dinâmico, deve ser implementado urgentemente para o devido monitoramento dos resultados.  Somente assim o País cumpre com o dever de proporcionar à juventude brasileira a expectativa de um futuro digno, principalmente aquela que por questões sociais não alcança o ensino superior.